Minha amiga Mirella, que eu conheci depois do parto da Tete e passou por um VBAC domiciliar com Marcia K. e Ana Cris, logo falou: "Você vai ter em casa, né?". Eu disse "Calma, vamos ver..", mas no fundo eu sabia que sim, só não queria que a decisão parecesse precipitada.
Segunda gravidez não tem toda aquela atenção, aquela importância que a primeira tem... Com dezesseis semanas fui na primeira reunião do GAMA, e a partir daí tudo foi encontrando seu lugar, as coisas foram ficando mais claras e eu de fato me sentia não só grávida como muito bem informada. GAMA toda 5ª feira e a lista me viciando...Comecei a frequentar o GAMA com o objetivo claro de conhecer pessoas que pudessem me ajudar a traçar um melhor caminho para o próximo parto que eu iria viver. Logo na primeira reunião falaram sobre o AJ, um médico que atende por convênio - inclusive o meu - e faz parto humanizado. Perfeito, parto humanizado sem gastar um tostão! Marquei consulta com ele e fugi do meu antigo GO que tinha pedido exame de streptoB com 12 semanas de gestação.
Antes da consulta fui com o Fi numa reunião e para minha surpresa ele falou "Hoje a gente tem mais medo de ir para o hospital do que de ter em casa!". U-hu, que delícia!!!
Bom, consulta com AJ, fomos nós dois, mas demorou tanto que o Fi teve que ir embora para buscar a Tete na escola. Na sala de espera ouço casos de cesáreas eletivas... Na consulta cito Ana Cris, GAMA, mas ele não se altera. É atencioso, paciente, mas não me sinto realmente acolhida. O diferencial é a real aceitação ao meu desejo de parto normal, só isso. A consulta é rápida e ele informa que deverá viajar na minha DPP... Fico de armar um plano B, que internamente sei que só pode ser um parto domiciliar.
Até que numa bela 5ª feira, sei lá o que rolou na conversa que me esclareceu ainda mais tudo que podia ter sido diferente no meu primeiro parto, sei que eu saí de lá chorando. Chorava porque eu queria ter um parto de verdade, queria passar pela experiência de parir meu filho, e mais, o que eu queria mesmo era um parto domiciliar, porque eu invejava cada mulher que se apresentava "Fulana de tal, tantas semanas, o parto vai ser em casa...", queria eu falar assim, era isso que eu desejava para mim!!! Nada de plano B, esse era meu plano A!! E foda-se a grana, eu pensava, dane-se, a gente se vira pra pagar qualquer coisa, por que não o parto?
No dia seguinte escrevi pra Ana Cris pedindo pra conversar com ela, mas acabei nem precisando ocupar muito do seu tempo... Logo minha crise foi superada com uma rápida conversa com meu querido companheiro e a decisão foi selada: vamos batalhar um parto domiciliar, pois essa é a melhor escolha que podemos fazer. Agora é ir atrás de com quem, como, quanto... A Ana Cris deu a dica: fala com a Catia que ela ta voltando à ativa...Li o relato de parto da Catia e me debulhei em lágrimas. Escrevi pra ela e começamos nosso contato, desde o início com muita empatia - o tempo que ela ficou comigo no telefone já foi de uma consideração ímpar! Ela me deixava à vontade para decidir pelo médico, mas eu já tinha decidido que seria ela. Eu sou meio assim, vi e gostei, é esse, não gosto de ficar comparando muito, detesto me ver em dúvida. Então não tive dúvida, era ela até o final!
Daí pra frente o pré-natal correu perfeitamente, sem nenhuma intercorrência. Eu continuava me informando cada vez mais através dsa reuniões no GAMA e das conversas na lista. Dessa forma fui gestando também uma mãe mais tranquila e relaxada, segura de suas decisões, ao mesmo tempo que crítica aos procedimentos padrão de toda a maternidade, desde a gravidez, parto, cuidados com o bebê, amamentação, educação, etc...
Preparação para o parto
Contei a decisão pelo parto domiciliar para minha família, que me respeitou, apesar de ficaram um pouco inseguros. Não dei muita chance de questionamentos por parte deles, pois não queria me influenciar por eventuais medos, já que eu estava tranquila com minha decisão.
Aos amigos revelei aos poucos, somente quando o assunto vinha em pauta. A grande maioria do meu círculo social não sabia que o parto seria domiciliar.
Minha sogra estaria presente em casa, sendo assim com ela tive que conversar mais, esclarecer algumas dúvidas e logo ela se juntou a nós na certeza de que essa era a melhor decisão.
Agora restava uma pessoa muito importante a ser preparada: minha querida e amada filha, Teresa.
Foi todo um processo que aconteceu de maneira muito espontânea e natural, eu não planejei muito, só me preocupei em fazer algo a respeito. Durante a gravidez ela conversava muito com o irmão, aliás foi ela quem deu o nome dele com uma propriedade de quem sabe o que está falando. Desde que soube que seu irmão estava na minha barriga ela desenvolveu com ele uma relação muito gostosa e afetiva, compartilhando momentos da rotina, carinho, abraços, conversas... E também esclarecendo dúvidas, como a relação entre o bebê e a comida que eu como.
No seu aniversário de 3 anos, em maio, ela ganhou uma boneca muito bacana da Tia Helô e do Tio Bê, uma boneca grávida que vem com um bebê surpresa na barriga (e o dela era menino também!) e com a proposta de que o bebê deveria ser amamentado depois que nascesse. O único porém é que pra esse bebê nascer é preciso tirar a barriga da mãe e resgatar o bebê de seu interior. Foi uma ótima deixa para o assunto. Aproveitei e disse que não ia ter que tirar minha barriga pro João nascer, que ele ia nascer pela minha "xoxotinha" (nome que adotamos com ela). Com o tempo ela foi entendendo que a xoxotinha da mamãe ia se abrir pro João nascer e depois ia se fechar de novo. Isso rendeu algumas investigações dela ao seu próprio corpo, e ela sempre chegava à conclusão que sua xoxotinha era bem fechadinha e rosinha.
Mais ou menos na mesma época fomos com ela a uma consulta: fomos eu, Fi e Tete. Primeiro porque não tinha quem ficasse com ela para irmos juntos, depois achamos que seria mesmo bom pra ela se inteirar mais do assunto. E foi ótimo!!! Ela conheceu a Catia, perguntou quando o João ia nascer, viu a Catia me examinar, ouviu seu coraçãozinho bater... Depois conheceu a Ana Cris e correu pelo GAMA. Voltando pra casa, quando fomos brincar com a tal boneca, ela definiu melhor os papéis: "Mãe, eu sou a Cátia e você é a Ana Quis, ta?" rsrsrs.....
Então finalmente achei que ela estava pronta pra ouvir a leitura de um livro lindo: "Assim nasce um bebê... naturalmente", que conta a história de uma menininha que vai ganhar um irmãozinho nascido em casa. Foi lindo. Durante a leitura ela conversava com a Alely, menininha personagem central do livro. Contou que ela também ia ganhar um irmão, que tava na barriga da mãe dela. Contou que ele ia nascer da xoxotinha da mamãe, que ia abrir pra ele sair mas depois fechava de novo. Perguntou se o irmão dela (Alely) gostava muito dela... Enfim, foi uma leitura muito prazeirosa e bem aproveitada!

3 comentários:
pay.. e a propria teresa!!! q linda essa experiencia com ela! nao e a toa q foi ela quem segurou sua mao na hora H!!!
fui eu quem escreveu!!! beijo teté!!! rss esqueci de assinar!!!
Pay vc é d+
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